Rio 17 de dezembro de 2007

Roberto F. 

 

Conheci Emocionais Anônimos em outubro de 1995, vinha buscando equilíbrio depois de uma crise de pânico que me acometeu quando ia dar uma caminhada na Lagoa. Senti algo estranho como se algo fosse acontecer e de súbito desisti de caminhar e voltei para casa torcendo para o 409 chegar o mais depressa possível. Voltei ao normal, não comentei isso com ninguém mas à noite de madrugada comecei sentir falta de ar e taquicardia. Bati na porta do quarto dos meus pais e pedi ajuda. Logo eu e meu pai fomos para o Tijucor onde o médico de plantão mandou fazer um eletrocardiograma e não constatou nada. A partir daí começou minha luta para voltar ao equilíbrio pois adquiri medos diversos e os sintomas de pânico .

Me apeguei a principio na ioga de um livro do Prof. Hermógenes, antes tinha feito exames físicos diversos pensando estar com alguma doença mas tudo dava normal. Depois fui informado que o problema era de origem psicossomática. Tomei muito floral de Bach e remédios homeopáticos. Depois de um ano encontrei E.A. e me identifiquei muito pois havia na sala duas pessoas que tiveram como eu a síndrome de pânico. Fui muito bem recebido e comecei a freqüentar o grupo e os depoimentos das pessoas e a literatura passaram a ser importantes na minha recuperação.

Ouvir os depoimentos dos que passaram por problemas parecidos com os meus foi um fator determinante para voltar. Falar sobre nossas dores também é importante e ler os 12 passos de E.A. e as 12 tradições de E.A. mais os temas diversos (medo, ansiedade,perdão,depressão,culpa...etc). contribuíram para minha recuperação gradativa homeopática e aos poucos fui voltando ao normal. Hoje ainda busco me encontrar e me conhecer verdadeiramente, compreendo que vivia distante de mim mesmo e a doença foi um meio drástico para que pudesse me olhar e começar a me reconhecer. Sirvo no grupo (serviços como fazer o café, coordenar reuniões, etc.) como forma de manifestar gratidão pelo apoio que recebi ao longo desses anos. E também para poder ajudar aos que sofrem de problemas das emoções. Já vi vários companheiros e companheiras serem beneficiados pela freqüência nas reuniões.

E.A. é um grupo de mútuo-ajuda e percebemos que não estamos sós e que nossos problemas não são os maiores nem insolúveis. Herdamos do A.A. os 12 passos e as 12 tradições que são cedidos graciosamente à todos os grupos anônimos que constituem hoje uma variada oportunidade para os inúmeros problemas e compulsões as mais diversas

Sou grato por poder pertencer ao E.A.

 

 

 

 

Por isso, para mim é importante dizer àquele que sente-se como me senti:

VOCE NÃO ESTÁ SÓ !

 

Rio, 22 de Fevereiro de 2008.

Henrique R.

Desde minha infância, vivendo em uma família onde meus pais brigavam muito (meu pai era alcoólatra), comecei a desenvolver uma personalidade ansiosa, achando que todos estavam me observando quando andava pela rua, e comecei então, desde cedo , a sentir certo medo de pessoas. A situação foi se agravando, a medida que o tempo foi passando até que tive contato pela primeira vez com o álcool, quando ia para um baile (clube social) com meus amigos. A sensação causada pelo álcool foi algo "mágico", pois perdi toda a inibição , todo medo, todo desconforto que vinha sentindo; nesta época tinha 15 anos. De lá pra cá, toda reunião social, toda festinha, todo encontro, tinha que ter álcool para me sentir "bem", sem medos...

Cheguei aos 33 anos, e como não podia deixar de ser, com um medo cada vez maior da vida, das pessoas, do amanhã... E precisei procurar ajuda, o que fiz , no dia 18 de junho de 1999. Ao chegar em casa no dia seguinte de uma noite de muito álcool , pedi ajuda a minha esposa que , pela primeira vez (penso) sentia que eu dizia a verdade, quando disse à ela que queria mudar. Ela estava no trabalho, e eu em casa no telefone e ela disse que iria ver o que poderia fazer para me ajudar. Enquanto aguardava seu telefone de retorno, pedi ajuda à Deus: "se o Senhor existe, me ajude ! " , e de repente me vi foleando o páginas amarelas e lá tinha CVV , Centro de Valorização da Vida, cuja atendente foi tocada por Deus, para me ajudar com palavras de carinho e força me indicando o caminho a tomar.

Minha esposa retornou a ligação em seguida e me disse o que deveria fazer: me alimentar, dormir que a noite iriamos a uma clínica (clínica de 12 passos para recuperação), e assim fizemos...Graças à Deus ! Passei um período de grande aprendizado na clínica, onde entrei em contato com meus sentimentos e tomei consciência do que me levava a fuga com álcool. Na verdade, minha inabilidade de lidar com minhas emoções era o que me levava a toda ação errada, até mesmo insana, e precisava mudar minha forma de pensar, sentir e agir se quisesse ter uma vida equilibrada e tranquila. Me foi sugerido, ao final do tratamento na clínica, que frequentasse uma sala de mútuo ajuda para manter o que tinha conquistado, do contrário estaria pondo em risco todo aprendizado. E assim eu fiz, mesmo com dificuldades para compartilhar com outros os meus problemas e dificuldades.

Hoje continuo estudando e tentando praticar os 12 passos para recuperação , frequentando Emocionais Anônimos, depois de 8 anos frequentando Alcoólicos Anônimos (que ainda frequento), e tenho tido grandes momentos de sobriedade, serenidade, paz , harmonia, tudo isso graças a ajuda que venho recebendo em Emocionais Anônimos, cujos companheiros(as) que também estão buscando, me proporcionam dias cada vez melhores, para mim e minha família.

Queria , aqui, agradecer ao pessoal que faz um trabalho voluntário e anônimo no CVV ((21-2233-9191), e a todos os que estiveram (e estão) por perto me ajudando em minha caminhada rumo à recuperação.

Obrigado Emocionais Anônimos !

                                                  MINHAS DORES, MINHAS PÉROLAS

 Sou uma emocional em recuperação, impotente perante minhas emoções. faço parte da Irmandade de Emocionais Anônimos á sete anos, porem, á quatro anos e meio estive afastada dos encontros por estar galgando um grande sonho de minha existência: conquistar meu diploma de curso superior. Sei que nesse periodo em que me dediquei á concretização desse sonho, foram os ensinamentos adquiridos nas reuniões de E.A. os grandes responsaveis por eu conseguir retirar dos meus momentos de fraqueza, a força que necessitava para continuar minha luta. Não foram raras as vezes em pensei em desistir, pois o cansaço, as opiniões alheias, as dificuldades normais de qualquer estudante, acrescidas da responsabilidade de liderar um lar com dois filhos ainda pequenos se tornaram pedras que a principio me faziam esmorecer e sentir vontade de abandonar minha caminhada. Mas, conforme aprendi em E.A. devemos buscar fazer de nossa vida uma entrega verdadeira, em que somos apenas aprendizes. O Poder Superior é quem verdadeiramente nos guia, ofertando-nos aquilo que necessitamos para que possamos sentir atraves de nossa humanidade e limites á real presença da divindade em nosso ser.

Ao me graduar e retornar às reuniões descobri que o que me fez chegar até aqui e ainda ter força e vontade para sonhar mais alto foi o fato de me aceitar verdadeiramente como sou: humana, com erros e acertos, porem sempre disposta a recomeçar. Metaforicamente, hoje me comparo a uma ostra, pois estou aprendendo cada vez mais a produzir pérolas em minha vida.

Hoje, ao me olhar diante do espelho tenho coragem de admitir que assim como a ostra, tenho uma concha grossa, que me reveste para que eu sobreviva ao mundo exterior. Dentro dessa concha é que a ostra reserva o que de melhor ela possui, sua essência chamada de madrepérola, o seu verdadeiro eu, sensivel e frágil. Também sou assim, forte externamente mas sensivel e fragil quando entro em contato comigo mesma. Possuo como a ostra, dois lados, que genericamente posso chamar de razão e emoção, bem e mal, positivo e negativo, tanto faz. O que importa é que quando me foco na busca pelo equilibrio desses dois lados naturais em mim, sou capaz de me manter serena e protegida das ameaças externas. Porém, quando esses lados se desalinham e algo externo penetra em meu ser, dolorosas feridas se formam e machucam o que possuo de mais especial em mim. Contudo, hoje posso dizer que os ensinamentos de E.A. me educam constantemente para que eu possa agir como a ostra. Esse sábio animal marinho utiliza suas dores para a produção de pérolas. E sabe como isso acontece ? Ao perceber qualquer coisa estranha á sua essência, a ostra lentamente envolve o intruso com sua madrepérola, doando o que de melhor possui para aquilo que lhe causa feridas. Com isso, produz uma das mais valiosas gemas do mercado de jóias: a pérola. A ostra é capaz de transformar á sua dor em algo valioso, ofertando ao que lhe fere, o que de melhor ela possui: sua essência. Através do exemplo da ostra e com os ensinamentos do E.A. tenho procurado produzir muitas pérolas em mim. Cada vez mais tenho me esforçado para transformar tudo aquilo que me fere em algo valioso para minha existência. Hoje, cada vez mais tenho sido capaz de doar o melhor de mim a minhas dores e aprender imensamente com elas. Ao me olhar sem reservas e reconhecer minha polaridade natural, sinto-me cada vez mais serena e humana e isso tem me feito perceber o quanto sou divina. Aprendi o grande valor da gratidão e hoje sou grata ao Poder Superior por permitir que um ser tão diferente de mim pudesse me ensinar tanto sobre mim mesma.

Sentir em mim essa essencia viva traz fortalecimento e faz com que meus sonhos estejam cada vez mais ao alcance de minhas mãos. Obrigada Senhor, pelas pérolas de minha existência !

Betânia Resende, São João Del-Rei (MG) - 27/03/2011





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